Os robôs autónomos são uma boa decisão?

Photo Credit: Bart van Overbeeke Photo Credit: Bart van Overbeeke
Huub Vroomen
Executive Director Global Engineering
Jun 14, 2018

Huub Vroomen, Diretor Executivo de Investigação e Desenvolvimento da Diversey considera que a colaboração no desenvolvimento de uma nova geração de robôs autónomos vai impulsionar o setor da limpeza e ajudar a superar os nossos medos de um futuro robótico.

 

A acreditar nos avisos, os robôs são uma ameaça. Muitos acreditam que a utilização de robôs afetará o emprego, com efeitos que serão sentidos em todos os setores comerciais. O setor da limpeza não é exceção, pois muitas tarefas de limpeza e manutenção são consideradas de baixas qualificações e, portanto, em risco. A potencial disrupção nos avanços na robótica está a levar muitos prestadores de serviços delimpeza a considerar os seus modelos de negócios, qualificações e operações.

 

Diversey retira o fator receio

Devemos temer realmente os robôs? Este não é apenas mais um exemplo do medo de mudança, que todas as novas tecnologias tiveram de enfrentar? Cada mudança tecnológica traz as suas próprias incertezas e desafios. Muitas vezes, este medo não nos permite ver as oportunidades. Na Diversey, não vemos razão para ter medo da robótica, seja como inevitável promotor da perda de emprego ou como uma tecnologia de ponta cujo momento chegou.

 

Para a robótica, esta discussão chega num momento importante. Estamos no ponto de viragem: entre aqueles que foram os primeiros a adotar e a aceitação da tecnologia robótica no geral. Para a indústria da limpeza, neste campo a Diversey esteve sempre entre os pioneiros, como confirmam as nossas conquistas com a SWINGOBOT 2000 TASKI.

 

Todavia, não somos únicos. Muitas indústrias enfrentam desafios com a adaptação da robótica e na forma como introduzir esta nova e disruptiva tecnologia. Consideramos que a maneira mais eficaz de avançar no conhecimento é uma estreita cooperação intersectorial, combinando tecnologias e estabelecendo parcerias. Devemos criar juntos o futuro da robótica, para ajudar a resolver o medo e a desenvolver soluções eficientes.

 

A visão do mundo de um robô: uma cooperação única

Como exemplo de tal cooperação, a Diversey, em conjunto com a Universidade de Tecnologia de Eindhoven (TU/e) e quatro outras empresas europeias líderes da indústria, está a realizar pesquisas pioneiras no campo da robótica. O nosso projeto a quatro anos é denominado FAST  – Frontiers in Autonomous Systems Technology (Fronteiras na Tecnologia de Sistemas Autónomos). Entre nós, há uma grande variedade de aplicações abrangidas, incluindo: agricultura, logística interna, robôs de inspeção, equipamentos de panificação de alta tecnologia e limpeza profissional. Fazer parte deste emocionante exemplo de cooperação entre ciência e indústria é uma oportunidade única para a Diversey ajudar a educar estudantes e engenheiros na formação do futuro da robótica.

 

O objetivo deste projeto de investigação combinado é desenvolver robôs industriais móveis com uma visão aberta do mundo, que se adapte às mudanças no seu ambiente de trabalho. Com efeito, estamos a ajudar os robôs a compreender o que veem. Tal vai ajudar o robô a adaptar-se melhor ao ambiente e aos seres humanos em seu redor. Tornar os robôs mais "inteligentes" vai ajudar a criar a aceitação e a acelerar a introdução de robôs.

 

Alcançar robôs de limpeza totalmente autónomos representaria um avanço significativo. Isto não é ficção científica, esperamos que antes do período de quatro anos do projeto FAST terminar, parte da tecnologia já esteja disponível nos nossos produtos. O conhecimento exclusivo que a TU/e criou com os seus robôs de futebol e saúde é combinado com o conhecimento de aplicação recolhido por cada um dos parceiros industriais.

 

É uma questão de escolha

A partir da nossa colaboração com a TU/e, queremos levar a nossa tecnologia atual um passo à frente, na qual os robôs poderão fazer escolhas com base nas suas observações. Imagine: um robô que pode decidir qual o caminho a seguir com base na sua própria compreensão do seu mundo?

 

Por exemplo, um robô de limpeza pode ser treinado para distinguir obstáculos, diferenciando entre uma planta, um ser humano e uma peça de mobiliário. Cada um dos obstáculos desencadearia um comportamento diferente, onde uma planta e uma peça de mobiliário seriam abordados muito de perto, mas a um ser humano seria concedida alguma "distância de conforto".  Percebendo como as pessoas reagem, talvez o robô possa inclusive perguntar educadamente se pode passar, para continuar o seu trabalho de limpeza.

 

Fazer com que os robôs falem com as pessoas depende da preferência e aceitação do cliente. Teremos de avaliar se as pessoas gostam ou não ou se há uma necessidade clara? Esse tipo de investigação também faz parte do projeto FAST e visa melhorar a aceitação da robótica entre o público em geral.

 

Muito mais do que ir de A para B

Todas as empresas participantes têm as suas próprias ideias para aplicações dos robôs. O percurso preciso de A para B será comum a todos os robôs desenvolvidos pelo projeto. Decidir como reagir melhor quando algo inesperado acontece é fundamental e difere consoante a aplicação.

 

A consciencialização do ambiente e como negociar espaço traz aos robôs flexibilidade para trabalhar em áreas onde as mudanças são constantes. Pensa na área de receção de uma grande empresa ou no hall de entrada de um hotel? Quando se usa robôs de limpeza, o ambiente não tem de estar cercado ou demarcado e as zonas ou pontos de referência específicos não serão necessários.

 

Facilitar o futuro

Diverseyé desenvolver robótica mais inteligente e de próxima geração, que criará novos empregos, que exigem grandes competências – ainda que bem diferentes. As inovações tecnológicas não serão à custa da mão-de-obra. Não vemos robôs a substituir pessoas. Em vez disso, vão agir como facilitadores, poupando tempo a quem limpa, para que possa executar tarefas mais complexas, para as quais normalmente não tem tempo.

 

Os robôs apoiam a força de trabalho. A Diversey mostrou que qualquer pessoa que possa operar uma TASKI normal também pode trabalhar com o nosso robô. Portanto, é possível que alguém possa deixar de ser empregado de limpeza para se tornar colaborador de operações de robótica. E o que há a temer quando a robótica está a criar todo este novo mundo de oportunidades?